01 outubro 2014

Refazer, Recriar, Renascer

Faz florescer a tua alma
E faz com que o teu corpo o sinta
Obriga-te a sentir as vibrações
Não morras a fazer o que o teu destino pinta!

Renasce se for necessário
E mostra a outros o que aconteceu
Obriga-os a acordar
De um corpo que jamais lhes pertenceu.

No final valerá a pena
Vais senti-lo nas raízes do teu espirito
Obrigaste-te a ser feliz
E ajudas-te quem também o quis.

Aos teus receios ateaste fogo
Fizeste-me lutar pela felicidade
Agora obriga-me a ser quem realmente sou
Ou morrerei afogada em maldade.

A poesia

A Fuga

Um grande Adeus é dito ao longe
Como se não fosse importante
E a chuva fosse a única maneira de lhe tocar
A qualquer instante

Dor de nada ter
Ou de tudo ter possuído
E agora tê-lo perdido,
É o que sinto.

E ela foge,
Com medo que a chuva maldita
Cheia de sentimento irrefutável
A atinja e a torne potável.

Foge da possibilidade de amar.

Recomeço de poesia

Citando Al Berto:

3 MITOS

a noite tranquila, o escritor debruçado para o seu caderno de notas, a luz incidindo sobre a página. O silêncio terrivelmente branco onde ele pode adivinhar o  vento, Zéfiro talvez, esse terrível vento que desviou o disco que Apolo lançava e matou Jacinto. A noite tranquila, a morte de Jacinto, o poema não será escrito. 

2 o escritor sentado, fumando cigarros, escutando os ruídos do entardecer no porto. O apito dum barco, as lombadas dos livros, uma ave sobre um rochedo, o mar. O sangue jorrando subitamente, os olhos turvos de Adónis, quando a Afrodite se lhe dirigiu, estava morto, já não pôde ouvir, nem viu a resplandecente anémona vermelha nascida do sangue caído na terra. Talvez outro poema, a não escrever! 

3 o escritor reencostando-se no crepúsculo do mar. As aves voando muito baixo, a brisa, a maresia, o caderno de notas na algibeira, o olhar perscrutando a treva que se aproxima. A maldição: 《Que aquele que não ama os outros se apaixone por si próprio.》Narciso,  a outra flor. A morte sobe das águas, revela o rosto, a paixão derradeira, o escritor fecha a janela. Acende a luz, abre o caderno de notas. Escreve: são três, os poemas que nunca ousarei escrever.