24 dezembro 2014

As portas não se abrem

A vida continua
Mas eu paro
E penso em algo raro

A vida continua
E eu faço as minhas memórias
Que um dia servirão para histórias

A vida continua
As memórias são más
Mas um dia não o serão mais

A vida continua
E as portas continuam sem se abrir
Por isso eu não faço um som
E adormeço embalada sem nada pedir

25 novembro 2014

Quando a Natureza é tudo

Deixo a Natureza consumir-me uma vez mais...
Ao contrário de quando ele o faz,
Ela cuida de mim após me ter possuido por completo.

04 novembro 2014

Noite de Poetisa

Mais uma noite de poetisa:

Cheia de vontade,
Cheia de inspiração para te amar.
Um sonho interminável em que te toco  
E por fim, só resta uma folha em branco.

Palavras férvidas nos teus seios.
Um, só mais um, beijo eterno.
Juntos somos tão brilhantes quanto a morte de uma estrela.
E por fim, uma folha pautada aparece.

De um lado, uma sinfonia agressiva saida de teus agridoces lábios. 
De outro lado um grito oculto, bem omitido da minha parte, no silêncio.
Respirações tão violentas quanto o marquanto do novo ano.
E por fim, nascimento de um romance.

Mas a teu lado, tudo é um rascunho.

01 outubro 2014

Refazer, Recriar, Renascer

Faz florescer a tua alma
E faz com que o teu corpo o sinta
Obriga-te a sentir as vibrações
Não morras a fazer o que o teu destino pinta!

Renasce se for necessário
E mostra a outros o que aconteceu
Obriga-os a acordar
De um corpo que jamais lhes pertenceu.

No final valerá a pena
Vais senti-lo nas raízes do teu espirito
Obrigaste-te a ser feliz
E ajudas-te quem também o quis.

Aos teus receios ateaste fogo
Fizeste-me lutar pela felicidade
Agora obriga-me a ser quem realmente sou
Ou morrerei afogada em maldade.

A poesia

A Fuga

Um grande Adeus é dito ao longe
Como se não fosse importante
E a chuva fosse a única maneira de lhe tocar
A qualquer instante

Dor de nada ter
Ou de tudo ter possuído
E agora tê-lo perdido,
É o que sinto.

E ela foge,
Com medo que a chuva maldita
Cheia de sentimento irrefutável
A atinja e a torne potável.

Foge da possibilidade de amar.

Recomeço de poesia

Citando Al Berto:

3 MITOS

a noite tranquila, o escritor debruçado para o seu caderno de notas, a luz incidindo sobre a página. O silêncio terrivelmente branco onde ele pode adivinhar o  vento, Zéfiro talvez, esse terrível vento que desviou o disco que Apolo lançava e matou Jacinto. A noite tranquila, a morte de Jacinto, o poema não será escrito. 

2 o escritor sentado, fumando cigarros, escutando os ruídos do entardecer no porto. O apito dum barco, as lombadas dos livros, uma ave sobre um rochedo, o mar. O sangue jorrando subitamente, os olhos turvos de Adónis, quando a Afrodite se lhe dirigiu, estava morto, já não pôde ouvir, nem viu a resplandecente anémona vermelha nascida do sangue caído na terra. Talvez outro poema, a não escrever! 

3 o escritor reencostando-se no crepúsculo do mar. As aves voando muito baixo, a brisa, a maresia, o caderno de notas na algibeira, o olhar perscrutando a treva que se aproxima. A maldição: 《Que aquele que não ama os outros se apaixone por si próprio.》Narciso,  a outra flor. A morte sobe das águas, revela o rosto, a paixão derradeira, o escritor fecha a janela. Acende a luz, abre o caderno de notas. Escreve: são três, os poemas que nunca ousarei escrever.